domingo, 1 de fevereiro de 2009

Soneto:

Este meu soneto é especial, no final explico por quê.

I M A G E N S

O trilho, a casa, a fonte o pé de amora,
o pasto, a roça, as nuvens no horizonte...
a passarada festejando a aurora
e o sol fugindo, rubro, atrás do monte!

A casa, o trilho, o pé de amora, a fonte,
o quarto pobre onde eu sonhei outrora...
o atalho, a tulha, o terreirão defronte
- e esta saudade pela vida afora!

A fonte, o pé de amora, o trilho, a casa,
e a dor imensa que meu peito abrasa
crivado pelos dardos da lembrança...

O pé de amora, a fonte, a casa, o trilho,
imagens que eu guardei - doce estribilho
que me transporta aos tempos de criança!

Pedro Ornellas
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Este soneto tem simetria perfeita. Note o 1º verso:o trilho - a casa - a fonte - o pé de amora1. Leia em sequência o primeiro termo de cada estrofe, dealto a baixo). O mesmo se dá com os demais termos.2. Leia em sequência de baixo para cima o último termo dos 1ºs versos.3. Leia de trás para a frente o 1º verso da última estrofe.4. A sequência dos últimos termos do 1º verso, de alto a baixo é igual à do 1º verso da última estrofe.5. Nos 1ºs versos há inversão perfeita:1. o trilho a casa / 2. a casa o trilho3. a fonte o pé de amora / 4. o pé de amora a fonteNos dois últimos termos acontece o mesmo, confira:a fonte o pé de amora / o pé de amora a fonteo trilho a casa / a casa o trilho

Um comentário:

José Edward Guedes disse...

Soneto perfeito, decassílabos bem distribuídos de modo simples e, por isso mesmo, profundo. Dei uma geral em sua página, foi como entrar numa casa aconchegante, acolhedora e que tem uma bela vista. Você meu pareceu ser uma pessoa, cujo talento é a própria pessoa: íntegra, verdadeira. Abraços e obrigado pela visita, irei aparecer em seu blog também. José Edward Guedes